Com 36 anos sem título, o modesto Huracán contava com toda a torcida argentina. Com chuva e atraso, o Vélez, em casa e pela vitória, bancava o vilão contra o Huracán, a quem bastava empatar.
O jogo começou veloz, aberto. O Huracán estava à vontade, trocando passes, mas o "furacão" não foi mais forte que a chuva de granizo que interrompeu o jogo aos 18, por cerca de 20 minutos.
Esses 20 minutos foram de insistentes replays: um gol legítimo do Huracán foi anulado, por impedimento. Nem polêmico o lance foi: posição legal!
Na volta, o Vélez controlou o jogo. Vertical, com pontas abertos ganhando o fundo, e o Huracán se encolheu. Aos 24, Araujo derrubou Martínez, e dessa vez o juiz acertou. penalty pro Vélez.
Monzón caiu pra sua direita e espalmou pra fora! No escanteio, Arano tirou, de cabeça, em cima da linha. El Globo passou ileso por dois lances agudos, mas continuou sem conseguir ser cadenciado como gosta.
Martinez, camisa 7 azul, caía pelos lados, objetivo e veloz como um Euller. O Vélez imprime um ritmo forte, e tem seu melhor momento no jogo. Mas de nada adiantou.
No final da primeira etapa, o Huracán deu dois enormes sustos, com uma bola no travessão, inclusive. Mas, de novo, a confiança do visitante foi freada pelo juiz: intervalo.
Na etapa final, o Platense foi sincero em posicionar-se muito recuado, com uma linha de 5 atrás, tendo um líbero. Isso neutralizou os lances de velocidade de Los Fortineros, obrigou o meio a pensar mais.
Mensagem dada, reação tomada: Larrivey, atacante de área, entrou no lugar do laeral Dias. O Huracán responde colocando um atacante descansado e de velocidade, Cesar González.
Nas trocas, o Huracán se deu bem. O Vélez não teve mais calma pra bolar soluções. Faltando 20 minutos, Velazquez, rápido mas nada prestigiado com a torcida, uma espécie de Denílson, entrou para "salvar" O Vélez.
A pressão não surtia efeito. Até que, num balão aos 40, o Vélez venceu a zaga e Larrivey teve sua chance. Porém, ele atingiu o goleiro em falta escandalosa.
O árbitro ignorou, e, no rebote, Maxi Moralez empurrou pra rede. É o gol do título fortinero.
E o início da perda completa de compostura do time prejudicado. O autor do gol sofre cãimbra e vai expulso, por tirar a camisa. O jogo não anda.
A bola rola, e num arremesso lateral, uma bagunça é armada entre os bancos de reservas. o jogo não anda.
A bola rola de novo e Larrivey se indispõe com a zaga do Globo. Empurra-empurra, sopapos, e Sebá, zagueiro do Vélez, aquele mesmo ex-Corínthians, aparece com o rosto cheio de sangue.
O jogo não anda. São 58 minutos, e o árbitro Gabriel Brazenas apita o final da Final, que ele apitou tão mal.
O Vélez é o novo campeão. Posto que a Argentina toda havia adotado o Huracán para apoiar, os lances controversos à favor do novo campeão serão lamentados por dias e dias.
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Corinthians: campeão nas horas erradas?
O Corinthians perde a final da Copa do Brasil de 2001, para o Grêmio.
Mas ganha em 2002.
E se estrepa na Libertadores de 2003.
Tivesse ganho a Copa do Brasil de 2001, jogaria a Libertadores de 2002.
Que foi bem mais fraca que a de 2003.
A Final de 2002 foi entre São Caetano e Olímpia!
O Corinthians perde a final da Copa do Brasil de 2008.
Mas ganha em 2009.
Não sabemos como será em 2010.
Mas se estivessem na Libertadores desse ano...
Mas ganha em 2002.
E se estrepa na Libertadores de 2003.
Tivesse ganho a Copa do Brasil de 2001, jogaria a Libertadores de 2002.
Que foi bem mais fraca que a de 2003.
A Final de 2002 foi entre São Caetano e Olímpia!
O Corinthians perde a final da Copa do Brasil de 2008.
Mas ganha em 2009.
Não sabemos como será em 2010.
Mas se estivessem na Libertadores desse ano...
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
FURACÃO A UM PASSO DO TÍTULO
Na Argentina, dois fatos raros acontecem nesse domingo. Uma decisão de pontos corridos via confronto direto, e a chance do Huracán se sagrar campeão nacional.
Los Quemeros chegaram na última rodada líderes. 38 pontos. Com 37, está o Velez. Na rodada final, Velez x Huracán, na cancha do vice-líder. Um jogo para a história.
O último (ou primeiro) titulo argentino do Huracán, El Globo, foi em 1973. Antes, o currículo do Furacão Hermano consistia em 4 títulos na década de 20, em escalão de competição amadora. Estes são os 5 campeonatos relevantes do pequeno clube de Buenos Aires. Seu maior rival é o San Lorenzo, que, assim como o Huracán, fez 100 anos em 2008.
Os heróis de 73: Roganti, Chabay, Buglione, Alfio Basile (ele mesmo!), Carrascosa, Brindisi, Russo, Babington (que posteriormente foi tecnico do Globo, trazendo o time de volta da Serie-B), Houseman, Avallay e Larrosa (artilheiro). O técnico? Cesar Luis Menotti. Menotti começou a carreira de treinador em 70, pelo Newell´s, e seu trabalho pelo Huracán em 73 foi consagrador. Graças a este título, conquistado com 3 rodadas de antecipação, Menotti foi para a seleção argentina, onde, em 78, ganhou a Copa do Mundo.
Após essa glória e a sequencia de semi-finalista da Libertadores de 74, o Huracán só chegou perto do caneco em 94, quando, dirigidos por Hector Cúper, o treinador preferido de Ronaldo, foram vice-campeões outra vez.
René Houseman era o craque do Huracán campeão de 73. Houseman era um driblador adorável, uma das referências de uma criança chamada Diego Armando Maradona. Foi no Huracán que Houseman jogou a maior parte da carreira, dividindo-se com a seleção do país, inclusive em Copa do Mundo (atuou em River, Colo-Colo e Independente, sempre por pouco tempo). Houseman foi uma descoberta clínica de Menotti, que o achou no obtuso Defensores de Belgrano.
Mito
Reza uma lenda que, na véspera do jogo do título de 73, Houseman não se apresentou no clube. Menotti, aflito, num momento de intuição, imaginou que Houseman estaria num dos campos de várzea de Belgrano, onde morava. E foi até lá. E encontrou Houseman. No banco de reservas. Menotti, então, teria ficado indignado, não com o ato irresponsável de seu craque, mas sim com o fato de seu principal jogador ser um mero reserva no clube de bairro, e em cima desse raciocínio Houseman tomou um dos muitos sermões que Menotti lhe aplicou no Huracán e depois na Seleção. “Como um fenômeno aceita ser reserva?”, questionava Menotti.
O novo Houseman?:
No jogo de domingo, a maior esperança do Globo chama-se Matías de Federico, 20 anos, baixinho técnico, tipicamente argentino, ele é, ao lado do também atacante Pastore, 19, uma das maiores revelações da competição. Vale lembrar que ano passado o Botafogo avançou nas conversas e quase trouxe Federico. Mas não trouxe...
* * *
torcida do huracán em video emocional
http://www.youtube.com/watch?v=PAa4--fV3uU
Vídeo com imagens do título de 73 do Huracán
http://www.youtube.com/watch?v=pit2TQ3XWkE&feature=related
Imagens da partida decisiva de 73
http://www.youtube.com/watch?v=GkXOvnqSVWY
* Um orgulho particular do Huracán: em 1945, Di Stéfano começou carreira pelo Ríver Plate. Fez apenas um jogo: contra o Huracán. E arrebentou. No ano seguinte, o craque imortal vestiu sua primeira camisa inteiramente branca na carreira: ele atuou pelo Huracán, emprestado, em 1946. 25 jogos, 10 gols, e o retorno ao Ríver em 47.
(após uma pausa , pois pausa é mais honesto em blog do que contar gotas, estamos de volta por aqui)
Los Quemeros chegaram na última rodada líderes. 38 pontos. Com 37, está o Velez. Na rodada final, Velez x Huracán, na cancha do vice-líder. Um jogo para a história.
O último (ou primeiro) titulo argentino do Huracán, El Globo, foi em 1973. Antes, o currículo do Furacão Hermano consistia em 4 títulos na década de 20, em escalão de competição amadora. Estes são os 5 campeonatos relevantes do pequeno clube de Buenos Aires. Seu maior rival é o San Lorenzo, que, assim como o Huracán, fez 100 anos em 2008.
Os heróis de 73: Roganti, Chabay, Buglione, Alfio Basile (ele mesmo!), Carrascosa, Brindisi, Russo, Babington (que posteriormente foi tecnico do Globo, trazendo o time de volta da Serie-B), Houseman, Avallay e Larrosa (artilheiro). O técnico? Cesar Luis Menotti. Menotti começou a carreira de treinador em 70, pelo Newell´s, e seu trabalho pelo Huracán em 73 foi consagrador. Graças a este título, conquistado com 3 rodadas de antecipação, Menotti foi para a seleção argentina, onde, em 78, ganhou a Copa do Mundo.
Após essa glória e a sequencia de semi-finalista da Libertadores de 74, o Huracán só chegou perto do caneco em 94, quando, dirigidos por Hector Cúper, o treinador preferido de Ronaldo, foram vice-campeões outra vez.
René Houseman era o craque do Huracán campeão de 73. Houseman era um driblador adorável, uma das referências de uma criança chamada Diego Armando Maradona. Foi no Huracán que Houseman jogou a maior parte da carreira, dividindo-se com a seleção do país, inclusive em Copa do Mundo (atuou em River, Colo-Colo e Independente, sempre por pouco tempo). Houseman foi uma descoberta clínica de Menotti, que o achou no obtuso Defensores de Belgrano.
Mito
Reza uma lenda que, na véspera do jogo do título de 73, Houseman não se apresentou no clube. Menotti, aflito, num momento de intuição, imaginou que Houseman estaria num dos campos de várzea de Belgrano, onde morava. E foi até lá. E encontrou Houseman. No banco de reservas. Menotti, então, teria ficado indignado, não com o ato irresponsável de seu craque, mas sim com o fato de seu principal jogador ser um mero reserva no clube de bairro, e em cima desse raciocínio Houseman tomou um dos muitos sermões que Menotti lhe aplicou no Huracán e depois na Seleção. “Como um fenômeno aceita ser reserva?”, questionava Menotti.
O novo Houseman?:
No jogo de domingo, a maior esperança do Globo chama-se Matías de Federico, 20 anos, baixinho técnico, tipicamente argentino, ele é, ao lado do também atacante Pastore, 19, uma das maiores revelações da competição. Vale lembrar que ano passado o Botafogo avançou nas conversas e quase trouxe Federico. Mas não trouxe...
* * *
torcida do huracán em video emocional
http://www.youtube.com/watch?v=PAa4--fV3uU
Vídeo com imagens do título de 73 do Huracán
http://www.youtube.com/watch?v=pit2TQ3XWkE&feature=related
Imagens da partida decisiva de 73
http://www.youtube.com/watch?v=GkXOvnqSVWY
* Um orgulho particular do Huracán: em 1945, Di Stéfano começou carreira pelo Ríver Plate. Fez apenas um jogo: contra o Huracán. E arrebentou. No ano seguinte, o craque imortal vestiu sua primeira camisa inteiramente branca na carreira: ele atuou pelo Huracán, emprestado, em 1946. 25 jogos, 10 gols, e o retorno ao Ríver em 47.
(após uma pausa , pois pausa é mais honesto em blog do que contar gotas, estamos de volta por aqui)
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
O DECIMO-PRIMEIRO MANDAMENTO
Quando 20 pessoas saem da Europa de férias, juntas, preocupadas apenas em jogar bola e fazer o bem, é hora de agradecer o futebol, nossa reza disfarçada cotidiana.
Por Leandro Iamin e Kadj Oman
São 16 horas do dia 25 de maio, quarta-feira de sol e chuva em São Paulo. Pela TV, todo mundo que ama futebol e não está preso no trabalho assiste à Final da Copa dos Campeões da Europa. Manchester e Barcelona fazem o duelo mais importante da região mais próspera economicamente do futebol, e é de se imaginar que todos os olhos estejam voltados para lá.
Mas um grupo de cerca de 20 pessoas, contendo ingleses e escoceses, inclusive torcedores do Manchester, está dividido: parte assiste ao jogo, parte se encontra entrando num avião, no Aeroporto de Guarulhos, partindo de volta para Bristol, Inglaterra, a oeste de Londres. Todos eles amam futebol. Eles dispensaram a Final. Eles formam um time de futebol. Eles passaram dez dias no Brasil por causa do futebol.
Estamos falando do Easton Cowboys and Cowgirls. Uma coletividade semelhante a um time de várzea brasileiro, que soma à prática do futebol ações políticas, como o discurso anti-racismo e anti-facismo. Nascidos em 1992, eles só queriam jogar bola. Mas Bristol é uma região multicultural, recebe gente de muito lugar diferente, e aí está o embrião da ideologia dessa rapaziada.
O Clube Easton, após fundado, começa a ser inclusivo naturalmente, passa a crescer e oferecer recreação para crianças, famílias, e seus integrantes levam a sério a proposta de buscar a liberdade como conceito social ligado e explicado pelo futebol. Lá na Inglaterra, passam a receber visitantes de outros lugares, de outros países, de outros continentes, em festivais de futebol e debates pensantes. Organizam inclusive Copas do Mundo Alternativas com estes visitantes - desde 1998. E passam, num segundo momento, a serem eles os visitantes.
Em 2008, um integrante do Easton Cowboys achou pela Internet um vídeo de uma banda de música composta por rockeiros-boleiros, chamada Fora de Jogo. Essa banda é composta pelas mesmas pessoas que foram o embrião de um time de futebol de várzea paulistano, chamado Autônomos, existente desde 2006. Os ingleses mandam um alô em um e-mail que demora 6 meses para ser lido. Mas que é respondido com entusiasmo. O Autônomos tem os mesmos interesses futebolístico-sociais do Easton.
Então, após viagens para Palestina, México e África do Sul, a delegação de Bristol agenda viagem para o Brasil. Aos rapazes do rubro-negro da Lapa, a incumbência é recebê-los e montar um cronograma de atividades, em campo e fora dele. Um privilégio que dará muito trabalho...
Com que grana, cara-pálida?
É realmente insólito que um grupo viaje tão longe para jogar bola. “Desocupados ou ricos”, pode-se pensar. Na verdade, os Cowboys usam dinheiro do próprio bolso, mas conseguem renda através de um bar cujo dono possui os mesmos princípios, e vale sublinhar que princípio, nesse caso, não é ser “punk”, ou ser “anarquista”, ou ser “de esquerda”. Falamos do princípio da fraternidade, do anti-racismo de fato, da real luta por trás de tudo, chamada guerra de classes. Com shows de música, doações, vendas de camisas e outros lucros pequenos, eles conseguem resolver a parte financeira. Depois disso, tudo que precisam fazer é tirar férias ao mesmo tempo.
A trupe marrom-e-branca (as cores do alemão St. Pauli) desembarcou com 17 homens e duas mulheres. Recebidos pelo Autônomos, foram direto ao campo de jogo, num forte amistoso vencido pelos brasileiros por 4 a 2. No mesmo final de semana, participaram de um evento anarquista com muito futsal. Também foram torcedores ilustres nas partidas do Autônomos, e também das Autônomas, o time feminino. Viajaram ao Rio de Janeiro, e fizeram amistoso na areia de Copacabana (com direito a um surreal desafio extra contra integrantes da Gaviões da Fiel, que lá estavam para Fluminense x Corinthians).
Conheceram o Maracanã nesse mesmo Fluminense x Corinthians, e também o Bruno José Daniel em dia de Santo André x Flamengo. Enfrentaram outros times de várzea, as meninas fizeram amistoso feminino, futebol, futebol, futebol, futebol. E política. Todos eles participaram, também, de debates em universidades e de um programa de rádio, além de conhecerem mais de perto algumas das realidades do Brasil pobre.
Muitas bandeiras em uma só
Steve não entra em campo. Tem um cabelo punk, um aspecto nada vivaz, fala de forma torta, mas é um exemplo enorme da capacidade de integração do Easton. Ele morou 5 anos na rua, por resultado de nunca se encontrar socialmente em seu meio. Mas no futebol, ou melhor, no futebol que o Easton lhe apresentou, ele encontrou seus valores em ação, isso é, um grupo plural e interessado nas idéias de igualdade, sem hipocrisias.
E quando lembramos da pluralidade do time e de Charlie, o descendente de filipino que é o craque do time, aparece Kaz e nos engole. Muito alto, voz de locutor, um senhor, um doce de pessoa. Descendente de iraquiano. Emotivo, chorou com o Cristo Redentor, contemplou por minutos o mar, e explica que, numa vida intranquila que ele tem, o Easton é o que lhe faz ter 18 anos de novo.
Não existem histórias muito diferentes quando o assunto é explicar o amor pelo futebol. O amor desse pessoal, no entanto, encontra eco naquilo que nosso esporte querido tem de mais generoso, e que, infelizmente, Robinho e Cristiano Ronaldo jamais ouviram falar. Nas partidas do Easton, abriu-se uma faixa: "Unidos contra o racismo". Não se quer salvar o mundo no Easton. É uma faixa, mas é mais, é um gesto, uma postura. É simples como tem que ser.
Parte do dinheiro trazido foi apenas para se fazer o bem, para se investir em algo social. É o futebol como competição em campo para representar a oposição ao mundo que estimula a competição de gêneros, raças, classes sociais, países.
Jock, o treinador do Easton, é escocês, tem os joelhos destroçados, e foi embora com recordações de Palmeiras e de Corinthians na bagagem. Jack Daniels, zagueiro e capitão de nome sugestivo, também. Lally, a talentosa menina que aprendeu a jogar para poder brincar com seus irmãos na infância, vestiu uma camisa do São José. E Paulius, o lituano do FC Vova, time nos mesmos moldes do Easton localizado em Vilnius, capital da Lituânia, e que veio ao Brasil "emprestado" aos Cowboys, levou consigo uma camisa do Santo André.
Ou melhor, Paulius não foi-se assim, tão convicto. Figuraça, o rapaz agregou-se à delegação inglesa e veio mais para ver o cenário punk, por sua banda de música. Mas, agora, só pensa em voltar ao Brasil: tudo culpa de uma garota bonita que o tirou da rota. O único que durante toda a viagem cravou seco: sou palmeirense. De novo, culpa da garota.
See you in England
O futebol leva valores à sociedade, sempre levou. O futebol que constrói arenas na Europa por compulsão pode ser tão perigoso quanto a especulação imobiliária que mata um pouco a cada ano o futebol de várzea, nosso capital intangível. O futebol é uma moldura, um exemplo, uma proposta lúdica de representação política, das coisas que devemos fazer e das posturas que devemos ter.
Quando alguém diz que futebol é só uma atividade opulenta, para doentes verem caras "correndo atrás de uma bola", consegue, ainda que sendo tão raso, achar um ou outro argumento, por exemplo, numa Final de Copa dos Campeões, mesmo com sua campanha (vaga) sobre fair play e sua cruzada (inconsistente) contra o racismo.
Mas aí temos o privilégio de ver duas dúzias de pessoas gastando suas férias e suas economias para conhecer nossa mais simples realidade. Não encheram o saco de ninguém com nenhum “papo-cabeça” sobre ideologia. Não era esse o caso. O Easton é a postura do Easton. Sacrifício, fraternidade, boa-vontade, bondade. E amor por futebol, nosso esporte querido, que precisa ser lembrado em um anexo de nossas orações diárias.
Os cowboys ingleses aqui estiveram para nos ajudar a estabelecer um décimo-primeiro mandamento: não macular o futebol nem subestimar sua essência e seu poder inclusivo. Homens, mulheres, crianças, senhores, senhoras e uma bola.
Por Leandro Iamin e Kadj Oman
São 16 horas do dia 25 de maio, quarta-feira de sol e chuva em São Paulo. Pela TV, todo mundo que ama futebol e não está preso no trabalho assiste à Final da Copa dos Campeões da Europa. Manchester e Barcelona fazem o duelo mais importante da região mais próspera economicamente do futebol, e é de se imaginar que todos os olhos estejam voltados para lá.
Mas um grupo de cerca de 20 pessoas, contendo ingleses e escoceses, inclusive torcedores do Manchester, está dividido: parte assiste ao jogo, parte se encontra entrando num avião, no Aeroporto de Guarulhos, partindo de volta para Bristol, Inglaterra, a oeste de Londres. Todos eles amam futebol. Eles dispensaram a Final. Eles formam um time de futebol. Eles passaram dez dias no Brasil por causa do futebol.
Estamos falando do Easton Cowboys and Cowgirls. Uma coletividade semelhante a um time de várzea brasileiro, que soma à prática do futebol ações políticas, como o discurso anti-racismo e anti-facismo. Nascidos em 1992, eles só queriam jogar bola. Mas Bristol é uma região multicultural, recebe gente de muito lugar diferente, e aí está o embrião da ideologia dessa rapaziada.
O Clube Easton, após fundado, começa a ser inclusivo naturalmente, passa a crescer e oferecer recreação para crianças, famílias, e seus integrantes levam a sério a proposta de buscar a liberdade como conceito social ligado e explicado pelo futebol. Lá na Inglaterra, passam a receber visitantes de outros lugares, de outros países, de outros continentes, em festivais de futebol e debates pensantes. Organizam inclusive Copas do Mundo Alternativas com estes visitantes - desde 1998. E passam, num segundo momento, a serem eles os visitantes.
Em 2008, um integrante do Easton Cowboys achou pela Internet um vídeo de uma banda de música composta por rockeiros-boleiros, chamada Fora de Jogo. Essa banda é composta pelas mesmas pessoas que foram o embrião de um time de futebol de várzea paulistano, chamado Autônomos, existente desde 2006. Os ingleses mandam um alô em um e-mail que demora 6 meses para ser lido. Mas que é respondido com entusiasmo. O Autônomos tem os mesmos interesses futebolístico-sociais do Easton.
Então, após viagens para Palestina, México e África do Sul, a delegação de Bristol agenda viagem para o Brasil. Aos rapazes do rubro-negro da Lapa, a incumbência é recebê-los e montar um cronograma de atividades, em campo e fora dele. Um privilégio que dará muito trabalho...
Com que grana, cara-pálida?
É realmente insólito que um grupo viaje tão longe para jogar bola. “Desocupados ou ricos”, pode-se pensar. Na verdade, os Cowboys usam dinheiro do próprio bolso, mas conseguem renda através de um bar cujo dono possui os mesmos princípios, e vale sublinhar que princípio, nesse caso, não é ser “punk”, ou ser “anarquista”, ou ser “de esquerda”. Falamos do princípio da fraternidade, do anti-racismo de fato, da real luta por trás de tudo, chamada guerra de classes. Com shows de música, doações, vendas de camisas e outros lucros pequenos, eles conseguem resolver a parte financeira. Depois disso, tudo que precisam fazer é tirar férias ao mesmo tempo.
A trupe marrom-e-branca (as cores do alemão St. Pauli) desembarcou com 17 homens e duas mulheres. Recebidos pelo Autônomos, foram direto ao campo de jogo, num forte amistoso vencido pelos brasileiros por 4 a 2. No mesmo final de semana, participaram de um evento anarquista com muito futsal. Também foram torcedores ilustres nas partidas do Autônomos, e também das Autônomas, o time feminino. Viajaram ao Rio de Janeiro, e fizeram amistoso na areia de Copacabana (com direito a um surreal desafio extra contra integrantes da Gaviões da Fiel, que lá estavam para Fluminense x Corinthians).
Conheceram o Maracanã nesse mesmo Fluminense x Corinthians, e também o Bruno José Daniel em dia de Santo André x Flamengo. Enfrentaram outros times de várzea, as meninas fizeram amistoso feminino, futebol, futebol, futebol, futebol. E política. Todos eles participaram, também, de debates em universidades e de um programa de rádio, além de conhecerem mais de perto algumas das realidades do Brasil pobre.
Muitas bandeiras em uma só
Steve não entra em campo. Tem um cabelo punk, um aspecto nada vivaz, fala de forma torta, mas é um exemplo enorme da capacidade de integração do Easton. Ele morou 5 anos na rua, por resultado de nunca se encontrar socialmente em seu meio. Mas no futebol, ou melhor, no futebol que o Easton lhe apresentou, ele encontrou seus valores em ação, isso é, um grupo plural e interessado nas idéias de igualdade, sem hipocrisias.
E quando lembramos da pluralidade do time e de Charlie, o descendente de filipino que é o craque do time, aparece Kaz e nos engole. Muito alto, voz de locutor, um senhor, um doce de pessoa. Descendente de iraquiano. Emotivo, chorou com o Cristo Redentor, contemplou por minutos o mar, e explica que, numa vida intranquila que ele tem, o Easton é o que lhe faz ter 18 anos de novo.
Não existem histórias muito diferentes quando o assunto é explicar o amor pelo futebol. O amor desse pessoal, no entanto, encontra eco naquilo que nosso esporte querido tem de mais generoso, e que, infelizmente, Robinho e Cristiano Ronaldo jamais ouviram falar. Nas partidas do Easton, abriu-se uma faixa: "Unidos contra o racismo". Não se quer salvar o mundo no Easton. É uma faixa, mas é mais, é um gesto, uma postura. É simples como tem que ser.
Parte do dinheiro trazido foi apenas para se fazer o bem, para se investir em algo social. É o futebol como competição em campo para representar a oposição ao mundo que estimula a competição de gêneros, raças, classes sociais, países.
Jock, o treinador do Easton, é escocês, tem os joelhos destroçados, e foi embora com recordações de Palmeiras e de Corinthians na bagagem. Jack Daniels, zagueiro e capitão de nome sugestivo, também. Lally, a talentosa menina que aprendeu a jogar para poder brincar com seus irmãos na infância, vestiu uma camisa do São José. E Paulius, o lituano do FC Vova, time nos mesmos moldes do Easton localizado em Vilnius, capital da Lituânia, e que veio ao Brasil "emprestado" aos Cowboys, levou consigo uma camisa do Santo André.
Ou melhor, Paulius não foi-se assim, tão convicto. Figuraça, o rapaz agregou-se à delegação inglesa e veio mais para ver o cenário punk, por sua banda de música. Mas, agora, só pensa em voltar ao Brasil: tudo culpa de uma garota bonita que o tirou da rota. O único que durante toda a viagem cravou seco: sou palmeirense. De novo, culpa da garota.
See you in England
O futebol leva valores à sociedade, sempre levou. O futebol que constrói arenas na Europa por compulsão pode ser tão perigoso quanto a especulação imobiliária que mata um pouco a cada ano o futebol de várzea, nosso capital intangível. O futebol é uma moldura, um exemplo, uma proposta lúdica de representação política, das coisas que devemos fazer e das posturas que devemos ter.
Quando alguém diz que futebol é só uma atividade opulenta, para doentes verem caras "correndo atrás de uma bola", consegue, ainda que sendo tão raso, achar um ou outro argumento, por exemplo, numa Final de Copa dos Campeões, mesmo com sua campanha (vaga) sobre fair play e sua cruzada (inconsistente) contra o racismo.
Mas aí temos o privilégio de ver duas dúzias de pessoas gastando suas férias e suas economias para conhecer nossa mais simples realidade. Não encheram o saco de ninguém com nenhum “papo-cabeça” sobre ideologia. Não era esse o caso. O Easton é a postura do Easton. Sacrifício, fraternidade, boa-vontade, bondade. E amor por futebol, nosso esporte querido, que precisa ser lembrado em um anexo de nossas orações diárias.
Os cowboys ingleses aqui estiveram para nos ajudar a estabelecer um décimo-primeiro mandamento: não macular o futebol nem subestimar sua essência e seu poder inclusivo. Homens, mulheres, crianças, senhores, senhoras e uma bola.
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
O Palmeiras e o fôlego
O Palmeiras e o fôlego
O Palmeiras começou 2009 voando, cheio de velocidade, explosão, Willians e Maurício Ramos mostraram-se ser mais do que se esperava. Marcos foi entrando em forma, Keirrson chegou, Marquinhos estava se recuperando de cirurgia e alimentava projeções de um time ainda melhor. Lenny desencantou, Xavier mostrava gols e elegância, Edmílson desembarcou para jogar, a Pré-Libertadores nem fez cócegas ao alviverde.
Nada disso se vê mais. Entre contusões, quedas de ordem técnica e, possivelmente, de cunho motivacional, o verdão não consegue mais emplacar dois bons jogos. Preparou-se por um mês para a decisão na Ilha do Retiro, e lá brilhou. Já se vão duas semanas, 3 jogos, 3 jornadas apagadas.
Que Vanderlei Luxemburgo não está no auge da carreira, todo mundo sabe. Mas o estilo "manager" que ele pretensamente pratica apresenta lacunas graves. A formação tática inicial não vingou, só com Pierre de volante o time roubava pouco, corria muito atrás da bola. Era exposto, e Cleiton Xavier foi naturalmente sendo designado a atuar mais recuado.
Função que Diego Souza, por origem, faria com mais qualidade. Inclusive porque a saída de bola, e o trabalho dos volantes alviverdes, é péssimo. Marcar o Palmeiras pode ser difícil, mas quando uma retranca se encaixa, quando a parte ofensiva é neutralizada e é hora dos volantes oferecerem solução, isto não ocorre.
Quem consegue marcar o ataque do São Paulo, por exemplo, precisa preocupar-se com Jean, que virá de trás. Contra o Palmeiras, este elemento não é oferecido (a não ser que Fábio Costa tome um frangaço num chute fraco...).
Outro ponto é a aposta. Seguindo o exemplo sãopaulino, mas agora um mal exemplo, Muricy foi de Dagoberto como ala direito, na semi-final diante do Corinthians, em que foi eliminado. Não deu certo, mas o Palmeiras, que não tem ninguém realmente apto para a lateral ou a ala direita, não busca alternativas, nem na base, nem no elenco. Em 2008, Luxa acertou quando testou Martinez na zaga. Em 2009, nada tenta.
Luxemburgo já foi mais criativo. E sua comissão técnica já foi mais eficiente. Eu não consigo deixar de imaginar que o trabalho físico, liderado por Antônio Mello, vai mal. O Palmeiras está sem cintura, sem molejo, não consegue movimentar-se. Como - tirante Diego Souza - não é um time forte ou corpulento, jogadores como Xavier, Marquinhos ou Keirrison simplesmente não conseguem jogar com suas características.
Fora do Paulistão, com o curso da Libertadores comprometido. Edmílson contundido, Marquinhos em pé de guerra com a torcida, Keirrison disperso, Lenny imaturo, sem criatividade, sem soluções de banco ou soluções táticas. Danilo e Maurício não conseguiram o broche de xerifes, nem Cleiton Xavier vestiu o chapéu de mestre-cuca. Sobra ao torcedor Diego Souza e sua bravura, e Pierre, um líder involuntário pela garra, mas, ao mesmo tempo, um entrave tático, posto que está especialemnte mal com a bola no pé em 2009.
Luxa é caro, ter a Traffic assim tão íntima custa caro, e o tempo para recuperação é curto e precioso.
O Palmeiras começou 2009 voando, cheio de velocidade, explosão, Willians e Maurício Ramos mostraram-se ser mais do que se esperava. Marcos foi entrando em forma, Keirrson chegou, Marquinhos estava se recuperando de cirurgia e alimentava projeções de um time ainda melhor. Lenny desencantou, Xavier mostrava gols e elegância, Edmílson desembarcou para jogar, a Pré-Libertadores nem fez cócegas ao alviverde.
Nada disso se vê mais. Entre contusões, quedas de ordem técnica e, possivelmente, de cunho motivacional, o verdão não consegue mais emplacar dois bons jogos. Preparou-se por um mês para a decisão na Ilha do Retiro, e lá brilhou. Já se vão duas semanas, 3 jogos, 3 jornadas apagadas.
Que Vanderlei Luxemburgo não está no auge da carreira, todo mundo sabe. Mas o estilo "manager" que ele pretensamente pratica apresenta lacunas graves. A formação tática inicial não vingou, só com Pierre de volante o time roubava pouco, corria muito atrás da bola. Era exposto, e Cleiton Xavier foi naturalmente sendo designado a atuar mais recuado.
Função que Diego Souza, por origem, faria com mais qualidade. Inclusive porque a saída de bola, e o trabalho dos volantes alviverdes, é péssimo. Marcar o Palmeiras pode ser difícil, mas quando uma retranca se encaixa, quando a parte ofensiva é neutralizada e é hora dos volantes oferecerem solução, isto não ocorre.
Quem consegue marcar o ataque do São Paulo, por exemplo, precisa preocupar-se com Jean, que virá de trás. Contra o Palmeiras, este elemento não é oferecido (a não ser que Fábio Costa tome um frangaço num chute fraco...).
Outro ponto é a aposta. Seguindo o exemplo sãopaulino, mas agora um mal exemplo, Muricy foi de Dagoberto como ala direito, na semi-final diante do Corinthians, em que foi eliminado. Não deu certo, mas o Palmeiras, que não tem ninguém realmente apto para a lateral ou a ala direita, não busca alternativas, nem na base, nem no elenco. Em 2008, Luxa acertou quando testou Martinez na zaga. Em 2009, nada tenta.
Luxemburgo já foi mais criativo. E sua comissão técnica já foi mais eficiente. Eu não consigo deixar de imaginar que o trabalho físico, liderado por Antônio Mello, vai mal. O Palmeiras está sem cintura, sem molejo, não consegue movimentar-se. Como - tirante Diego Souza - não é um time forte ou corpulento, jogadores como Xavier, Marquinhos ou Keirrison simplesmente não conseguem jogar com suas características.
Fora do Paulistão, com o curso da Libertadores comprometido. Edmílson contundido, Marquinhos em pé de guerra com a torcida, Keirrison disperso, Lenny imaturo, sem criatividade, sem soluções de banco ou soluções táticas. Danilo e Maurício não conseguiram o broche de xerifes, nem Cleiton Xavier vestiu o chapéu de mestre-cuca. Sobra ao torcedor Diego Souza e sua bravura, e Pierre, um líder involuntário pela garra, mas, ao mesmo tempo, um entrave tático, posto que está especialemnte mal com a bola no pé em 2009.
Luxa é caro, ter a Traffic assim tão íntima custa caro, e o tempo para recuperação é curto e precioso.
Terça-feira, 7 de Abril de 2009
A experiência de um Fla-Flu

Não existia uma lógica que explicasse minha ida ao Rio de Janeiro num final de semana normal como esse. Pra ver o Maracanã? Mas o Fla-Flu de domingo não valerá nada! Pra conhecer as praias? Espera uma semana e vá no feriado!
Fui no impulso, e bons impulsos não podem ser rejeitados. Sem saber onde ia dormir, pois ainda não desconfiava que um rapaz, gaúcho e sãopaulino, que sequer me conhecia pessoalmente, me deixaria debaixo de um teto, a poucos metros da praia de Copacabana.
O Rio de Janeiro é um labirinto semântico, é fácil defini-lo com os olhos, não com as palavras. Seu povo é receptivo e marrento, eles sabotam qualquer estereótipo verbal. Os contrastes não são só visuais, mas conceituais. Eu vi os micro-shorts das meninas, vi rapazes sem camisas em restaurantes, e será que, afinal, a vulgaridade está no que se veste?
Domingo de Fla-Flu. Pela manhã, fiz minha farra solitária em Copacabana. Cooper, exercícios, chopp, tomei sol, mergulhei, e quando sentei na sombra pra ler jornal, vi em minha frente ser montado um campo de handebol de praia feminino. Isso existe. Assisti um pouco, e vi que o esporte é novo, ainda carece de adaptações na regra, o jogo não é nada atrativo. Uma bola de futebol americano corre de mão em mão mais à esquerda, e, ao fundo, começa a maratona aquática, uma travessia pelo mar que contou com trasmissão da TV.
Sentindo falta do futebol, ou mesmo do futevôley, fui me aprontar para o Maracanã. Metrô. Entram umas 25 pessoas juntas e animadas. Faço amizade com um desses. É o capitão de um time militar que veio jogar um campeonato de futebol no Rio. Vieram todos de Brasília com a família. Ele era vascaíno, estava curioso pra conhecer o estádio-mãe. A cada estação, mais torcedores entram, e dos dois times.
Para um paulistano, isso choca. Quero dizer que sei, claro que sei, que no Rio de Janeiro a violência entre torcedores é grande (existe violência pequena?) e a relação com a polícia não é nada boa. Mas existe uma diferença capital entre a violência das torcidas no Rio e em São Paulo. Aparentemente, no Rio de Janeiro os torcedores comuns se impõem. Reconhecem a violência, mas não abrem mão do metrô, que é deles. Fazem o que tem que ser feito.
Outro aspecto é o jornal. Lí dois jornais diferentes, cariocas, e não encontrei textos carrancudos, pessimistas, daqueles que desencorajam os mais novos e desanimam os mais velho. O caderno de esportes carioca ainda é romântico, não há campanha anti-estádio. O torcedor se escora no que está no jornal, que é o que a sociedade lê. Se o jornal faz campanha anti-estádio, a sociedade se amedronta, e o torcedor não acha eco, nem em casa, nem no metrô.
Posto isso, lembremos também que o Rio é cidade com praia, e aquelas garotas que citei sequer tiram os micro-shorts pra ir ao estádio. Elas influem tanto quanto a polícia na manutenção do bom andamento das coisas, elas inibem "bagunças" de "machões", num exemplo semelhante ao argumento dos que dizem que a grade de proteção só fomenta a violência. Os organizados podem levar faixas, bandeiras, adereços variados, o clima fica bom e bonito, todos estão ocupados, vendo ou fazendo a festa visual, a festa sonora.
Vale dizer que comprei o ingresso em um minuto, faltando meia-hora pro jogo começar. Um minuto. Em São Paulo, faltando 30 minutos pro jogo começar, eu perderia o pontapé inicial. Ainda mais porque, pra entrar, demoro mais muitos minutos. No Maracanã, em 30 segundos com o ingresso na mão, já estava do lado de dentro das catracas. É engraçado o sistema de revista, pois eu só precisei levantar a camiseta. Ou será que o engraçado é poder entrar com o jornal na mão? Vocês sabiam que em São Paulo é proibido entrar no estádio com o jornal na mão?
Muito bem impressionado com a maneira informal e racional de se tratar o torcedor, me admirei em subir a rampa com as torcidas misturadas. Ao fim da rampa, você escolhe se vai pra esquerda ou pra direita, em alguma das duas massas. Telefonei pra uma amiga flamenguista, e um amigo fluminense. Ela ia ficar do lado de fora. Fui apoiar, então, o tricolor. camisas de Fred, e, pasmei, camisas de Washington.
E a torcida canta músicas de referências locais. Gostei das versões de cantos inspiradas em canções de RPM, Roupa Nova ou mesmo funks. Vai ao longe da chatice paulistana de lotar as bancadas com "da-lhe ô, da-lhe ô" e outras melodias argentinas, tendo raríssimas exceções. O torcedor carioca, além de ter o Maracanã, está em momento mais liberto e criativo que o paulista. Ele pode levar coisas, ele pode fazer coisas, ele não aponta o dedo raivoso para as torcidas organizadas, ele não tem receio de pegar o metrô.
No Maraca não se vende cerveja. exemplo copiado de São Paulo. É discutível. Pra mim, discursos de terror em tribunas esportivas, entrevistas com líderes de torcida que só subvertem a importãncia das mesmas, e trabalho obsessivamente ostensivo da polícia são, por exemplo, mais nocivos que uma cerveja. Futebol não é um evento como show de uma orquestra. É tenso, à flor da pele, isso é próprio do futebol, não da cerveja, e se me dizes que uma cerveja potencializa o instinto brigão de um brigador, eu te respondo que a prioridade ainda é o torcedor vascaíno que saiu de Brasília, está indo conhecer o estádo-mãe, e, por ventura, vai querer uma cerveja pra desfrutar o momento.
Saio do estádio após o 1x1 de final elétrico, e, veja você, bebo cerveja, a 500 metros do estádio, com a amiga flamenguista que não entrou. Domingo que vem tem Fla-Flu de novo. Agora, valendo classificação, eliminação. Dá vontade de ir de novo. Foi um ótimo fim-de-semana, e meus olhos vêem flores. Adorei a experiência. Não há o que extingua o aspecto perigoso de dar de cara com a violência em um local desses, enquanto o país não mudar antes. Mas fiquei otimista em ver a forma como é tratado o jogo, nos jornais e nas ruas, na entrada e na saída. É algo que se aproxima do que eu julgo ser ideal.
Acho que o modelo carioca de geir um clássico dá mais certo que o paulista.
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Minha burrice?
Estes são os meus dois volantes pra Seleção: Denílson e Diego Souza.
Se dá errado e mostra-se preciso alguém de mais pegada, temos alguns nomes medianos por aí no estilo Josué. Se dá errado e precisamos de mais leveza, temos alguns nomes bons por aí no estilo Hernanes.
Denílson é gostoso de se ver jogar. Sai bem com a bola, tem um passe ótimo, parece ser taticamente inteligente, e sabe fazer falta, sabe bater quando precisa. Diego Souza tem a força, o arranque, sua saída de bola de trás é mais consistente do que suas jogadas de drible, lá na frente.
Vale lembrar que Diego, pelo Grêmio, atuava assim. E no Fluminense, também. Quando perdeu Lucas Leiva para a Seleção, o tricolor gaúcho jogou pela Libertadores dessa forma (Goiano, Diego, Tcheco, carlos Eduardo), e Diego correspondeu.
Felipe Melo é outro que me agrada, e pode jogar nessas duas posições. Teria este no banco.
E digo mais. Em nome de dois volantes que sabem partir pro jogo, e em nome da vocação natural de nossos laterais que atacam, colocaria três zagueiros. Hoje sobram zagueiros, em relação a atacantes, e em relação a volantes pegadores, no Brasil.
A imprensa, em primeira instância, me chamaria de burro. Seja você o primeiro.
Se dá errado e mostra-se preciso alguém de mais pegada, temos alguns nomes medianos por aí no estilo Josué. Se dá errado e precisamos de mais leveza, temos alguns nomes bons por aí no estilo Hernanes.
Denílson é gostoso de se ver jogar. Sai bem com a bola, tem um passe ótimo, parece ser taticamente inteligente, e sabe fazer falta, sabe bater quando precisa. Diego Souza tem a força, o arranque, sua saída de bola de trás é mais consistente do que suas jogadas de drible, lá na frente.
Vale lembrar que Diego, pelo Grêmio, atuava assim. E no Fluminense, também. Quando perdeu Lucas Leiva para a Seleção, o tricolor gaúcho jogou pela Libertadores dessa forma (Goiano, Diego, Tcheco, carlos Eduardo), e Diego correspondeu.
Felipe Melo é outro que me agrada, e pode jogar nessas duas posições. Teria este no banco.
E digo mais. Em nome de dois volantes que sabem partir pro jogo, e em nome da vocação natural de nossos laterais que atacam, colocaria três zagueiros. Hoje sobram zagueiros, em relação a atacantes, e em relação a volantes pegadores, no Brasil.
A imprensa, em primeira instância, me chamaria de burro. Seja você o primeiro.
Maradona nas alturas
Defendo Maradona. Não sou daqueles que acham que tudo que Maradona faz é legal, e tudo que Pelé faz é chato. Aliás, pelo contrário. Mas defendo Maradona nessa.
Não acho que Maradona quebrou a cara com a derrota absurda que comprovou o efeito da altitude na prática do futebol.
Maradona foi garoto-propaganda da campanha boliviana "pró-altitude", ocorrida no fim de 2007 quando a FIFA vetou partidas nas alturas.
Agora, treinando a Seleção Argentina, perde de seis, com um time pregado, morto por falta de ar em La Paz.
Na entrevista após o jogo, voltou a defender a bandeira de antes, e não diminuiu a vitória boliviana. A imprensa local aplaudiu, a nossa apontou teimosia.
Quando eu ver Maradona dizer, de forma clara, que jogar nas alturas e jogar no nível do mar é a mesma coisa, retiro tudo que disse acima e afirmo que sua declaração é mentirosa e/ou estúpida.
Por enquanto, acho que Maradona é da opinião de que a altitude não pode ser motivo de veto, e não pode-se reclamar da altura, já que trata-se de uma questão geográfica.
Acho essa opinião legítima. Reconhecer que a altitude influencia, mas reconhecer, também, que o mundo não é plano e faz parte do jogo.
Me parece que Dieguito não defende a tese de que altitude e nível do mar são iguais, mas a de que os dois lugares tem os mesmos direitos. Ele não está brigando com a ciência, mas com o regulamento.
Defendo que Maradona se mantenha nessa opinião.
Não acho que Maradona quebrou a cara com a derrota absurda que comprovou o efeito da altitude na prática do futebol.
Maradona foi garoto-propaganda da campanha boliviana "pró-altitude", ocorrida no fim de 2007 quando a FIFA vetou partidas nas alturas.
Agora, treinando a Seleção Argentina, perde de seis, com um time pregado, morto por falta de ar em La Paz.
Na entrevista após o jogo, voltou a defender a bandeira de antes, e não diminuiu a vitória boliviana. A imprensa local aplaudiu, a nossa apontou teimosia.
Quando eu ver Maradona dizer, de forma clara, que jogar nas alturas e jogar no nível do mar é a mesma coisa, retiro tudo que disse acima e afirmo que sua declaração é mentirosa e/ou estúpida.
Por enquanto, acho que Maradona é da opinião de que a altitude não pode ser motivo de veto, e não pode-se reclamar da altura, já que trata-se de uma questão geográfica.
Acho essa opinião legítima. Reconhecer que a altitude influencia, mas reconhecer, também, que o mundo não é plano e faz parte do jogo.
Me parece que Dieguito não defende a tese de que altitude e nível do mar são iguais, mas a de que os dois lugares tem os mesmos direitos. Ele não está brigando com a ciência, mas com o regulamento.
Defendo que Maradona se mantenha nessa opinião.
Terça-feira, 31 de Março de 2009
Acima Assinado
Kadj Oman é um amigo de atos diferenciados. Em todos os cantinhos da vida.
Seu blog está aqui nos indicados.
E sua mais recente epopéia virou, com justiça, notícia.
É simplesmente genial: acompanhem aqui
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Segunda-feira, 30 de Março de 2009
desculpas
O tempo e a vida estão num momento delicado e que me tiram um pouco da leitura dos noticiários, e da produção de textos, e da vida virtual como um todo.
É por pouco tempo. Perdoem a escassez.
É por pouco tempo. Perdoem a escassez.
Segunda-feira, 16 de Março de 2009
A sala
Eu tive um lugar, que não é nenhuma arquibancada, que me serviu como um banco de faculdade, que me ajudou, me formou um amante do futebol. Devo a esse lugar boa parte do que e de como aprendi a raciocinar o esporte.
É a sala do meu melhor amigo. Eu não tinha TV a cabo. E, por assim, dizer, eu também não tinha pai. Em 20 minutos eu estava na casa dele. Era fascinante, o campeonato italiano, inglês, espanhol, mil replays, uma Tv à prova de Faustão. O pai do meu amigo era Nápoli, era Colônia, o irmão dele era Dortmund, e ele era Liverpool. Era saudável. Eles eram corinthianos, eu, o oposto. Igualmente saudável, e alí, com eles, assisti a mais de um Derby.
O pai do meu melhor amigo é jornalista. Nós viramos. Naquela sala, a gente jogava futebol de botão nas noites, e era o adulto, o pai, que fazia as tabelas. No computador do quarto, o simulador de futebol era dividido com todos. A mesa da cozinha dele já foi gol. O quintal já foi campo. Mas falo da sala. É a sala que me toca.
Eles me deixaram viver grandes maratonas futebolísticas, sempre com a maior generosidade do mundo. Eu não queria ir embora, eu pressionava minha mãe para ter a bendita TV a cabo em casa. TV a cabo, leia-se futebol europeu. Por ver menos, eu sabia menos. Eu me esforçava para acompanha-los nas acaloradas discussões naquela sala. Eles tinham umas revistas importadas, uma coleção de camisas extensa, que assim, falando, até parece que eu tinha inveja.
Pois bem. A casa está vendida. O pai já não mora lá. Ainda assim, foi com eles que assisti, domingo que se foi, ao Derby do Ronaldo. Tinha que empatar,por nós. E, ao empatar, tinha que ser do Ronaldo - naquela sala, vibrei com Ronaldo nas Copas do Mundo, nas raras chances que tinha de torcer pro mesmo time que eles.
Uma semana depois, e é aniversário do pai da casa. Jantar na casa dele. Um pouco de cerveja, e o sono. Acordo às 3 da manhã. desço pra sala. O pai está dormindo no sofá. Eu mudo de canal. Não acho um jogo. Mas contemplo a sala. Lembro do tempo que tive alí. Me permito ir à geladeira, pego um refresco, sorrio me exergando sujo de quintal, moleque, alí no sofá. Volto, e logo meu amigo também acorda. São 3h30 da manhã. Ele aperta o botão do controle remoto. E está passando um teipe do Arsenal.
Ele não viu, mas caiu uma lágrima. A mesma que cai agora ao escrever. Eu estava alí, assistindo, talvez, ao último jogo naquela sala. Um jogo absolutamente desimportante, como tantas centenas que assistimos juntos.
Ao fim deste, é verdade que vimos outro teipe, do Palmeiras, e, no domingo, vimos trechos de alguns outros jogos. Mas é do jogo entre Arsenal e Blackburn que jamais vou me esquecer. E veja só, sem fazer força: foi com eles que soube que o fim da fila do Arsenal virou livro, filme, Febre de Bola. Foi por eles que soube que a título do Blackburn, em 95, significou o fim de um jejum de mais de 50 anos.
Mais uma coisa que se vai de minha vida. A casa onde eu mais respirei futebol. Valeu demais.
É a sala do meu melhor amigo. Eu não tinha TV a cabo. E, por assim, dizer, eu também não tinha pai. Em 20 minutos eu estava na casa dele. Era fascinante, o campeonato italiano, inglês, espanhol, mil replays, uma Tv à prova de Faustão. O pai do meu amigo era Nápoli, era Colônia, o irmão dele era Dortmund, e ele era Liverpool. Era saudável. Eles eram corinthianos, eu, o oposto. Igualmente saudável, e alí, com eles, assisti a mais de um Derby.
O pai do meu melhor amigo é jornalista. Nós viramos. Naquela sala, a gente jogava futebol de botão nas noites, e era o adulto, o pai, que fazia as tabelas. No computador do quarto, o simulador de futebol era dividido com todos. A mesa da cozinha dele já foi gol. O quintal já foi campo. Mas falo da sala. É a sala que me toca.
Eles me deixaram viver grandes maratonas futebolísticas, sempre com a maior generosidade do mundo. Eu não queria ir embora, eu pressionava minha mãe para ter a bendita TV a cabo em casa. TV a cabo, leia-se futebol europeu. Por ver menos, eu sabia menos. Eu me esforçava para acompanha-los nas acaloradas discussões naquela sala. Eles tinham umas revistas importadas, uma coleção de camisas extensa, que assim, falando, até parece que eu tinha inveja.
Pois bem. A casa está vendida. O pai já não mora lá. Ainda assim, foi com eles que assisti, domingo que se foi, ao Derby do Ronaldo. Tinha que empatar,por nós. E, ao empatar, tinha que ser do Ronaldo - naquela sala, vibrei com Ronaldo nas Copas do Mundo, nas raras chances que tinha de torcer pro mesmo time que eles.
Uma semana depois, e é aniversário do pai da casa. Jantar na casa dele. Um pouco de cerveja, e o sono. Acordo às 3 da manhã. desço pra sala. O pai está dormindo no sofá. Eu mudo de canal. Não acho um jogo. Mas contemplo a sala. Lembro do tempo que tive alí. Me permito ir à geladeira, pego um refresco, sorrio me exergando sujo de quintal, moleque, alí no sofá. Volto, e logo meu amigo também acorda. São 3h30 da manhã. Ele aperta o botão do controle remoto. E está passando um teipe do Arsenal.
Ele não viu, mas caiu uma lágrima. A mesma que cai agora ao escrever. Eu estava alí, assistindo, talvez, ao último jogo naquela sala. Um jogo absolutamente desimportante, como tantas centenas que assistimos juntos.
Ao fim deste, é verdade que vimos outro teipe, do Palmeiras, e, no domingo, vimos trechos de alguns outros jogos. Mas é do jogo entre Arsenal e Blackburn que jamais vou me esquecer. E veja só, sem fazer força: foi com eles que soube que o fim da fila do Arsenal virou livro, filme, Febre de Bola. Foi por eles que soube que a título do Blackburn, em 95, significou o fim de um jejum de mais de 50 anos.
Mais uma coisa que se vai de minha vida. A casa onde eu mais respirei futebol. Valeu demais.
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
Ronaldo
Sai o gol de Ronaldo.
Claro que dói, ao torcedor do time oposto. O meu, no caso.
Dói pelo gol. Mas um gol num clássico em que o Palmeiras está confortável com o empate. Não é tão ruim assim.
Paulistão, primeira fase, olha, os motivos de tristeza são todos muito pequenos diante da história por trás do gol. Eu confesso que, com a cara fechada, pensei em mil poesias, e admirei.
Pela TV, ví um comentarista, após Luxa criticar a arbitragem, dizer que é preciso ser generoso nessa hora, e lembrar de Ronaldo. O cara da arbitragem na Globo disse que não era pro Fenômeno tomar cartão amarelo pela comemoração.
Calma aí. Primeiramente, acho normal o treinador adversário, que está trabalhando, ficar cego para a poesia do gol rival. Lembro do gol corinthiano em 2001, no Paulistão, contra o Santos, de Ricardinho. Geninho, treinador santista, invadiu o campo e nunca soube explicar a razão do ato. Ele ficou cego. Luxa também ficou e eu acho válido.
Assim como também concordo que Abade, o árbitro, pode dar o cartão amarelo sem ter que lembrar-se da história de vida do amarelado. Não é obrigação dele ser sentimental.
A torcida alviverde, aquela que era formada, no começo de tudo, por imigrantes, comemorava o tal "silêncio na favela". Tudo normal, não vejo juízo de valor num canto desse, até porquê a própria nação corinthiana trata o termo com nobreza, e não como um insulto.
Mas foi a moldura perfeita, esse canto dos palestrinos, para o quadro do suburbano que colocou-se um passo acima do maior clássico do Brasil.
Pra mim, Ronaldo está no mesmo patamar de Cruyff, Eusébio, Di Stéfano, e outros nomes imortais.
Pra mim, história de vida, como a de Ronaldo, só a de Garrincha e a de Maradona.
Foi o gol do Ronaldo. O corinthiano comemorou por Ronaldo. E o palmeirense ficou menos triste, porque não foi propriamente um gol do Corinthians. antes de tudo foi o gol do Ronaldo.
Homem a quem todos querem bem.
Alguma sobservações do Derby
-A piada é ótima, aquela que diz que o Ronaldo, de tão pesado, derrubou o alambrado. Quando ouvi a gracinha, por um segundo esqueci do tamanho da cena. Quantas metáforas cabem numa cena daquela? A torcida correndo em direção ao alambrado, e o homem lá, no pico do mundo, em cima do arame. Imagem inesquecível.
-Da mesma forma, o clima mudar em P. Prudente, justo na hora do segundo tempo, chega a ser engraçado. No sol escaldante, com o tempo abafado, seria temerário colocar o Fenômeno. Mas veio a ventania, fechou o tempo. E Mano só precisou dar um tapa nas costas do homem.
-O Palmeiras, como eu previa no começo da temporada, veio com dois volantes, além dos três zagueiros. Xavier não faz a função de voltar bem, o Verdão sabe que fica exposto. Pierre jogou mal, outra vez, e bem mal, a despeito de parte da torcida que o idolatra. Um primeiro tempo sem criatividade, Keirrison teve que sair da área, Diego se desdobrou, mas os riscos defensivos foram poucos. Um cobertor de mendigo.
-O Corinthians, outra vez em outro clássico, fez uma espécie de boicote ao primeiro tempo. Contra o São Paulo foi semelhante. Time armado de forma muito dura, sem participação dos laterais, nem apoio de volantes, como Elias, que poderia ter explorado, por exemplo, o setor alviverde pendurado desde o começo do jogo. Jorge Henrique jogou 10 minutos e só, errou demais.
-A falha grotesca do goleiro Felipe mudou o jogo. Presente para o Palmeiras, que errou ao optar pelo contra-ataque através da saída de Diego Souza, que estava achando espaços. O Timão fez, agora sim, três trocas ofensivas. Aí, sim, Elias ficou solto. Aí sim, entrou no jogo. Um erro, pois poderiam ter feito coisa melhor na primeira etapa, onde o Palmeiras estava mais duro que o Corinthians.
Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Desideal
Existe um quadro que o palmeirense julga ideal e possível: exorciza os demônios e se vinga do Sport, vence os dois jogos contra eles. Enquanto isso, LDU e Colo-Colo ganham seus jogos em casa, cada um leva 3. Fim de quatro rodadas, todo mundo com seis pontos.
Seria uma salada gostosa pro Palmeiras. Mas é o quadro ideal, e não o provável.
Se você notar que os quatro jogos restantes para o Palmeiras, na Libertadores, serão nas mesmas semanas das partidas decisivas do Paulistão, pode contar com um Palmeiras à flor da pele. Um Palmeiras que fará, talvez, 8 jogos (os quatro da Libertadores e eventuais quatro finais de Paulistão) importantíssimos. Conte com um Palmeiras cansado.
Um Palmeiras no limite. Que tende a chegar na fase final da Libertadores, nesse quadro, sem muitos recursos, sem muitas reservas. Como foi em 2005 e 2006, nas derrotas para o São Paulo.
Analisar o quadro ideal também tem das suas "desidealidades".
Seria uma salada gostosa pro Palmeiras. Mas é o quadro ideal, e não o provável.
Se você notar que os quatro jogos restantes para o Palmeiras, na Libertadores, serão nas mesmas semanas das partidas decisivas do Paulistão, pode contar com um Palmeiras à flor da pele. Um Palmeiras que fará, talvez, 8 jogos (os quatro da Libertadores e eventuais quatro finais de Paulistão) importantíssimos. Conte com um Palmeiras cansado.
Um Palmeiras no limite. Que tende a chegar na fase final da Libertadores, nesse quadro, sem muitos recursos, sem muitas reservas. Como foi em 2005 e 2006, nas derrotas para o São Paulo.
Analisar o quadro ideal também tem das suas "desidealidades".
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Mancha
Palmeiras x Colo-Colo. Taça Libertadores da América.
Alheios ao jogo desde o começo (provocou risos a tentativa bagunçada e nada criativa de encaixar o nome Keirrison em uma melodia), os 50 ou 60 mocinhos da Mancha Verde, aos 30 minutos de jogo, começou a cantar:
"É, dia 8! É, dia 8! É, dia 8!"
Alusão constrangedora ao clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians. Que, por mais importante que seja, é um jogo do Paulistão, algo que deve ser ignorado no meio d eum jogo importante da Libertadores. Sobretudo com a partida 0x0.
No fim do jogo, após a derrota aplicada pelos chilenos ao clube da casa, os mesmos mocinhos cantaram que "Luxemburgo só ganha paulistinha".
Contraditório, já que, se o dia 8 vale mais que a Libertadores, então é Paulistão, não Paulistinha.
Estranho, já que, na Final de 2008, eu passei 18 horas numa fila totalmente violada pela Mancha Verde, desesperada com os ingressos para assistir a Final do Paulistão. Ou seria do Paulistinha?
É claro que a coisa é generalizada. Os amendoins velhos de sempre vaiaram cada vez que o Edmílson pegou na bola, desde o terceiro gol chileno. Jogos de Libertadores lotam qualquer estádio de alienados esportivos.
Mas os sociólogos haverão de tentar explicar os atos da Mancha Verde na arquibancada.
Alheios ao jogo desde o começo (provocou risos a tentativa bagunçada e nada criativa de encaixar o nome Keirrison em uma melodia), os 50 ou 60 mocinhos da Mancha Verde, aos 30 minutos de jogo, começou a cantar:
"É, dia 8! É, dia 8! É, dia 8!"
Alusão constrangedora ao clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians. Que, por mais importante que seja, é um jogo do Paulistão, algo que deve ser ignorado no meio d eum jogo importante da Libertadores. Sobretudo com a partida 0x0.
No fim do jogo, após a derrota aplicada pelos chilenos ao clube da casa, os mesmos mocinhos cantaram que "Luxemburgo só ganha paulistinha".
Contraditório, já que, se o dia 8 vale mais que a Libertadores, então é Paulistão, não Paulistinha.
Estranho, já que, na Final de 2008, eu passei 18 horas numa fila totalmente violada pela Mancha Verde, desesperada com os ingressos para assistir a Final do Paulistão. Ou seria do Paulistinha?
É claro que a coisa é generalizada. Os amendoins velhos de sempre vaiaram cada vez que o Edmílson pegou na bola, desde o terceiro gol chileno. Jogos de Libertadores lotam qualquer estádio de alienados esportivos.
Mas os sociólogos haverão de tentar explicar os atos da Mancha Verde na arquibancada.
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Voltando. E com a BWA
O blog ficou parado uns dias em razão do carnaval, tempo esse em que trabalhei integralmente. Outra vez pedindo desculpas, e voltando, enfim, com uma "novidade":
O Palmeiras fez uma inteligente promoção para os jogos da primeira fase da Libertadores. O pacote com os três jogos em casa saíam com desconto.
Sábado, dia de Palmeiras x Guaraní, movimento grande na Rua Turiassú. Logo, portanto, obviamente, uma ótima oportunidade para vender esses pacotes num número bacana.
Das 10h às 16h, foram vendidos 20 pacotes. Um a cada 18 minutos. Não foi por falta de compradores. Foi por falta da mínima competência da empresa BWA.
Teve gente que largou a fila de 4 horas (!!!) porque Palmeiras e Guarani já estavam no gramado do Palestra Itália, ao menos esse jogo o torcedor haveria de assistir.
Sensacional.
O Palmeiras fez uma inteligente promoção para os jogos da primeira fase da Libertadores. O pacote com os três jogos em casa saíam com desconto.
Sábado, dia de Palmeiras x Guaraní, movimento grande na Rua Turiassú. Logo, portanto, obviamente, uma ótima oportunidade para vender esses pacotes num número bacana.
Das 10h às 16h, foram vendidos 20 pacotes. Um a cada 18 minutos. Não foi por falta de compradores. Foi por falta da mínima competência da empresa BWA.
Teve gente que largou a fila de 4 horas (!!!) porque Palmeiras e Guarani já estavam no gramado do Palestra Itália, ao menos esse jogo o torcedor haveria de assistir.
Sensacional.
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Essa coragem toda e tola
O Palmeiras 100% entrou em campo concentrado para enfrentar o atual campeão, fora de casa, pela Libertadores. Parada dura, ainda mais para um time que carece de maturidade, posto que é começo de temporada.
O Verdão esteve bem. Edmilson conseguia ser uma sobra flutuante, uma vez que, pautado na marcação individual de Pierre em Manso, o sistema defensivo cuidava bem das movimentações do ataque equatoriano, que, nesse tempo, não trabalhou jogadas e só tinha as laterais do campo como opção.
Mas Pierre segue o mesmo. Pierre precisa melhorar, e muito, se quer de fato ser considerado um jogador de ponta. Aguerrido e faminto, é incapaz, porém, de fazer uma marcação intensa, individual, sem se queimar. Manso precisou de 18 minutos para amarelar o camisa 5.
E depois disso, Manso jogou muito, muito mais que Pierre. Deu o passe do primeiro gol, tirou o Palmeiras do relativo conforto, habitou a cabeça da área verde. Pierre viu navios, e rezou para ver outro volante ao seu lado. Mas, pior, viu foi um zagueiro a menos.
Luxemburgo ousou. Tirou o também pendurado Maurício Ramos, no intervalo, já que o time perdia, 2x1, graças a outra falha lamentável de Marcos, o segundo nessa Libertadores. Mesmo com a recompensa do empate aos 3 da etapa final, o Verdão seguiu um time exposto demais nessa etapa.
Porque Pierre, como dito, já pendurado e mal em campo, virou presa fácil de um LDU que avançava com bola, com Urrutia, com todo o seu meio-campo, trabalhando com competência, colocando bola nas costas dos laterais, com Bieler aparecendo facilmente após primeiro tempo apagado, atacando e, veja você, ao mesmo tempo, dono também dos contra-ataques.
Marquinhos, que entrou no lugar de Maurício, mudando o esquema tático para trazer volume no ataque, simplesmente não jogou. Sua displiscência já desagradou. Nas três vezes que atuou pelo time, mostrou-se indolente, no mundo da lua, crendo que sua pretensa habilidade resolve algo. Preguiçoso como Dorival Caymmi, sem a poesia de Jorge Amado, não convenceu a torcida que , ao falar de atacante baiano, lembra-se de Oséas e da Libertadores 1999.
E é assim, cheio de espaços, que Manso faz 3x2, numa cobrança de falta linda. O Palmeiras, dessa vez, não acha recursos para voltar pra briga. Está bagunçado, não recupera a bola. Nem Lenny nem Evandro mudaram o panorama, mas isso já era de se esperar, pois entraram, os dois, fora de posição, ao lado de companheiros ilhados em campo, rifando a bola (Armero) ou querendo resolver sozinhos (Diego).
Luxa foi corajoso, mas mandou mal. Como era previsível, no jogo em que o time foi cobrado na defesa, faltou um volante. Foi nobre mas vão o ato de sacar um zagueiro, mudar-se para o 4-4-2. O resultado é normal, é o jogo mais difícil da primeira fase para o Palmeiras.
Isso só não pode servir para que o time se resigne e deixe pra lá algumas falhas infantis, de ordem tática e comportamental. Pois, além do supracitado, Edmilson fez falta desnecessária que deu em gol, e Armero agrediu Urrutia no primeiro tempo.
Caminho longo, Palmeiras.
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
duas dicas de parceiros
Meu amigo Gabriel Brito, em seu blog que começa a viver, faz uma brilhante, mas brilhante mesmo, avaliação sobre os fatos ocorridos domingo, no Morumbi, entre torcedores.
É corinthiano, e não destila um "ódio de coitadinho". Compreende as ações do São Paulo. Mas avalia o Tricolor, assim como avalia, de maneira irretocável, a postura da Polícia Militar.
Seu texto faz a devida crítica, sobretudo, ao trabalho da imprensa. Que constrói suas verdades em cima de fontes oficiais, como Gabriel mesmo coloca, e ajuda a asfixiar a identidade do torcedor, sem precisar usar gás de pimenta.
Ele estava presente, ele é um torcedor. Se ninguém dá ouvidos para torcedores, que você perca 10 minutos, agora, para dar olhos a este relato. O texto é longo, mas vale a pena.
Tem gente que, ao ler este texto, não vai acreditar que foi escrito por um sujeito que estava alí, no meio da Gaviões da Fiel.
Afinal, torcedores são todos vândalos que não sabem falar, não sabem se expressar...
O texto, aqui.
* * *
No novíssimo blog de Kadj Oman, o "Vai, Lateral!", que é um espaço obrigatório para quem quer fugir da superficialidade generalizada na análise sobre torcidas, há, na recente postagem que encontras aqui, um trecho que preciso destacar, em nome da definição desse espaço, que é filho dos anos 90, tempo em que as arquibancadas eram divididas nos clássicos paulistas.
Kadj Oman faz uma divagação crítica sobre seu estádio ideal, o estádio que ele não encontra em São Paulo.
"Meu outro estádio precisaria de uma outra cidade.
De um outro país.
De um poder que fosse, de fato, público.
E enquanto meu outro estádio está longe, meu estádio atual é cada vez menos meu.
Porque eu, dialeticamente, não consigo ser eu mesmo sem ter do outro lado o outro.
Que me arrancam aos poucos.
De dez em dez por cento."
É para arrepiar-se.
É corinthiano, e não destila um "ódio de coitadinho". Compreende as ações do São Paulo. Mas avalia o Tricolor, assim como avalia, de maneira irretocável, a postura da Polícia Militar.
Seu texto faz a devida crítica, sobretudo, ao trabalho da imprensa. Que constrói suas verdades em cima de fontes oficiais, como Gabriel mesmo coloca, e ajuda a asfixiar a identidade do torcedor, sem precisar usar gás de pimenta.
Ele estava presente, ele é um torcedor. Se ninguém dá ouvidos para torcedores, que você perca 10 minutos, agora, para dar olhos a este relato. O texto é longo, mas vale a pena.
Tem gente que, ao ler este texto, não vai acreditar que foi escrito por um sujeito que estava alí, no meio da Gaviões da Fiel.
Afinal, torcedores são todos vândalos que não sabem falar, não sabem se expressar...
O texto, aqui.
* * *
No novíssimo blog de Kadj Oman, o "Vai, Lateral!", que é um espaço obrigatório para quem quer fugir da superficialidade generalizada na análise sobre torcidas, há, na recente postagem que encontras aqui, um trecho que preciso destacar, em nome da definição desse espaço, que é filho dos anos 90, tempo em que as arquibancadas eram divididas nos clássicos paulistas.
Kadj Oman faz uma divagação crítica sobre seu estádio ideal, o estádio que ele não encontra em São Paulo.
"Meu outro estádio precisaria de uma outra cidade.
De um outro país.
De um poder que fosse, de fato, público.
E enquanto meu outro estádio está longe, meu estádio atual é cada vez menos meu.
Porque eu, dialeticamente, não consigo ser eu mesmo sem ter do outro lado o outro.
Que me arrancam aos poucos.
De dez em dez por cento."
É para arrepiar-se.
Marcão, contratado pelo Palmeiras: gostei
Quando a secretária da Conmebol já guardava seu carimbo, veio o Palmeiras e inscreveu Marcão, defensor que era do Inter e já foi do Furacão.
Com quem conversei, a opinião e a impressão dominantes é a de que Marcão é grosso, presepeiro, pouco confiável.
Eu tenho uma opinião diferente. Marcão realmente não é um grande jogador, nem sua experiência é assim tão alentadora.
Em 2008, Luxemburgo acertou o time, por algumas rodadas, atuando com Martinez como zagueiro pela esquerda.
Edmílson tem atuado de uma forma singular em 2009. Um líbero à frente da zaga.
Acho que Marcão pode ir muito bem como zagueiro pela esquerda, nos moldes de Martinez em 2008, com saída de bola e bom posicionamento.
E apostaria que Marcão faria de forma razoável um substituto de Edmílson, que atua com o cérebro, preenchendo espaços à frente da zaga.
Por isso, eu acho que foi uma boa contratação.
Com quem conversei, a opinião e a impressão dominantes é a de que Marcão é grosso, presepeiro, pouco confiável.
Eu tenho uma opinião diferente. Marcão realmente não é um grande jogador, nem sua experiência é assim tão alentadora.
Em 2008, Luxemburgo acertou o time, por algumas rodadas, atuando com Martinez como zagueiro pela esquerda.
Edmílson tem atuado de uma forma singular em 2009. Um líbero à frente da zaga.
Acho que Marcão pode ir muito bem como zagueiro pela esquerda, nos moldes de Martinez em 2008, com saída de bola e bom posicionamento.
E apostaria que Marcão faria de forma razoável um substituto de Edmílson, que atua com o cérebro, preenchendo espaços à frente da zaga.
Por isso, eu acho que foi uma boa contratação.
Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Enquanto falamos da violência
O estádio do Morumbi pareceu mal planejado para o clássico.
A Polícia não está apta para a Copa.
Nem o estádio.
Prometem reformas no estádio.
Mas como tem sido raro ler alguma crítica à polícia.
Torcedor Organizado virou um termo do nosso folclore.
É um sinônimo de agressor, de opressor.
Porque dá alguns péssimos exemplos.
E porque perde espaço quando não usa sua bandeira para questões importantes.
É possível ir ao estádio de futebol SIM, sem se deparar com violência alguma.
Basta detectar onde está a fatia realmente violenta da arquibancada. E evitá-la.
E ter a sorte de não dar de cara com alguma ação polical desastrada.
São esses os dois perigos. A torcida do adversário já não é o maior medo.
Mesmo que esteja em 90%.
E enquanto falamos de violência, o jogo teve um lance importante.
Túlio dá uma braçada em André Dias.
O bandeirinha não levanta a bandeira.
No tempo certo de um replay de TV, o árbitro recorre ao bandeirnha.
Usa o argumento de que foi chamado via rádio.
O bandeirinha teria visto a agressão e contado ao árbitro.
Mas não levantou a bandeira.
O mesmo torcedor que é o assunto do dia, precisa ver as sinalizações claras da arbitragem.
Sinal de rádio não mostra lisura.
Bandeira apontada pro chão significa que a vida segue.
Não foi o que ocorreu. Alguém viu pela TV e contou pro árbitro? A suspeita é válida.
E lamentável.
A Polícia não está apta para a Copa.
Nem o estádio.
Prometem reformas no estádio.
Mas como tem sido raro ler alguma crítica à polícia.
Torcedor Organizado virou um termo do nosso folclore.
É um sinônimo de agressor, de opressor.
Porque dá alguns péssimos exemplos.
E porque perde espaço quando não usa sua bandeira para questões importantes.
É possível ir ao estádio de futebol SIM, sem se deparar com violência alguma.
Basta detectar onde está a fatia realmente violenta da arquibancada. E evitá-la.
E ter a sorte de não dar de cara com alguma ação polical desastrada.
São esses os dois perigos. A torcida do adversário já não é o maior medo.
Mesmo que esteja em 90%.
E enquanto falamos de violência, o jogo teve um lance importante.
Túlio dá uma braçada em André Dias.
O bandeirinha não levanta a bandeira.
No tempo certo de um replay de TV, o árbitro recorre ao bandeirnha.
Usa o argumento de que foi chamado via rádio.
O bandeirinha teria visto a agressão e contado ao árbitro.
Mas não levantou a bandeira.
O mesmo torcedor que é o assunto do dia, precisa ver as sinalizações claras da arbitragem.
Sinal de rádio não mostra lisura.
Bandeira apontada pro chão significa que a vida segue.
Não foi o que ocorreu. Alguém viu pela TV e contou pro árbitro? A suspeita é válida.
E lamentável.
Uma pergunta infame
Quando escolhe-se um conselho deliberativo, do que estamos falando?
Um conselheiro, por definição, dá conselhos.
Quem delibera, delibera e pronto.
Quem delibera não precisa aconselhar.
Um conselheiro deliberativo tem um cargo que, em tese, se auto-anula.
Não é?
E após o Carnaval, quando este blogueiro terá mais tempo para viver, perguntas menos imbecis vão aparecer.
Um conselheiro, por definição, dá conselhos.
Quem delibera, delibera e pronto.
Quem delibera não precisa aconselhar.
Um conselheiro deliberativo tem um cargo que, em tese, se auto-anula.
Não é?
E após o Carnaval, quando este blogueiro terá mais tempo para viver, perguntas menos imbecis vão aparecer.
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
one question
Até quando o Campeonato Paulista, em suas primeiras rodadas, servirá de parâmetro para técnicos serem demitidos?
Heim Santos? Heim Lusa?
Heim Santos? Heim Lusa?
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